Tudo começou mesmo com uma conversa pelo Facebook no dia 02
de fevereiro de 2012. O tempo foi nos convencendo mais e mais que deveríamos
nos dar uma chance, nos conhecer pessoalmente, pois já trocávamos muitas ideias
sobre nossas pesquisas acadêmicas. Faltava verificar como as coisas
funcionariam “ao vivo”.
Não foi fácil. Desconfianças, críticas, preconceitos, mas
fomos experimentando-nos e com isso brotou um relacionamento sério, mas aberto
e sem perseguições ao Outro. No começo era tudo virtual e isso me incomodava.
Detestava me sentir adolescente de internet, postando frases e poemas de amor,
músicas melosas etc. Não, eu não cheguei a cantar pagode, mas resvalei pelo brega mais rasgado.
Ela tomou a iniciativa e veio de vez, com malas e cuias.
Saiu dos cafundós de Unaí para viver algo completamente novo: um casamento, uma
cidade grande e um conjunto de riscos. Mas, sem riscos não há vida. Ela
entendeu. Eu entendi. Nós nos ajuntamos em nome de Deus, dos guias espirituais,
dos orixás, sei lá, cada um diz uma coisa. Sei apenas que nos reunimos para
construir não apenas relações sexuais dentro de quatro paredes, mas uma vida
comum. Cheia de cumplicidades, confidências, fraquezas, resistências, fantasias
sexuais inomináveis, espiritualidade engajada, erros e acertos.
Hoje fazemos nove meses dessa aventura. Sim, caiu no “dia
dos mortos”, mas não acreditamos em mortos. Tudo vive. Não sei quanto tempo vai
durar nossa relação, a despeito dos desejos românticos de eternidade. Na
verdade, prefiro viver o hoje e sua fragilidade do que as promessas do “para
todo sempre”. Se estiver gostoso para os dois, continue e nem precisa prometer
nada. Os sorrisos testemunham mais do que promessas.
Escrevo essas tortas linhas apenas para tentar dizer para
ela: eu te amo.
