sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Para Giowana



Tudo começou mesmo com uma conversa pelo Facebook no dia 02 de fevereiro de 2012. O tempo foi nos convencendo mais e mais que deveríamos nos dar uma chance, nos conhecer pessoalmente, pois já trocávamos muitas ideias sobre nossas pesquisas acadêmicas. Faltava verificar como as coisas funcionariam “ao vivo”.

Não foi fácil. Desconfianças, críticas, preconceitos, mas fomos experimentando-nos e com isso brotou um relacionamento sério, mas aberto e sem perseguições ao Outro. No começo era tudo virtual e isso me incomodava. Detestava me sentir adolescente de internet, postando frases e poemas de amor, músicas melosas etc. Não, eu não cheguei a cantar pagode, mas resvalei pelo brega mais rasgado.

Ela tomou a iniciativa e veio de vez, com malas e cuias. Saiu dos cafundós de Unaí para viver algo completamente novo: um casamento, uma cidade grande e um conjunto de riscos. Mas, sem riscos não há vida. Ela entendeu. Eu entendi. Nós nos ajuntamos em nome de Deus, dos guias espirituais, dos orixás, sei lá, cada um diz uma coisa. Sei apenas que nos reunimos para construir não apenas relações sexuais dentro de quatro paredes, mas uma vida comum. Cheia de cumplicidades, confidências, fraquezas, resistências, fantasias sexuais inomináveis, espiritualidade engajada, erros e acertos.

Hoje fazemos nove meses dessa aventura. Sim, caiu no “dia dos mortos”, mas não acreditamos em mortos. Tudo vive. Não sei quanto tempo vai durar nossa relação, a despeito dos desejos românticos de eternidade. Na verdade, prefiro viver o hoje e sua fragilidade do que as promessas do “para todo sempre”. Se estiver gostoso para os dois, continue e nem precisa prometer nada. Os sorrisos testemunham mais do que promessas.

Escrevo essas tortas linhas apenas para tentar dizer para ela: eu te amo.


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